A Importância do Condicionamento (treinamento) Físico no Processo de Reabilitação do Portador de Deficiência Física
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Um dos maiores problemas do portador de deficiência física é a inatividade física causada pela patologia, pela sociedade, e as vezes até pela família. Este portador de deficiência física é um ser humano como qualquer um de nós e esta sujeito aos mesmos problemas que estamos quando não temos uma atividade física regular e uma vida saudável, ou seja, pode desenvolver obesidade, osteoporose, stress, etc.
Mas se nós enquanto pessoas “normais”, ainda podemos ter o privilégio do movimento ou de executar uma atividade física em qualquer lugar o deficiente já não pode ter o mesmo prazer, pois precisa de aparelhos, locais e condições especiais para que a mesmas possam acontecer.
A síndrome do Imobilismo ou Sedentarismo já é por nós muito conhecido há algum tempo, mas fazemos muito pouco ou quase nada para vence-la. O imobilismo pode provocar uma acentuação do processo osteoporótico, desenvolver uma obesidade e até mesmo desencadear um stress físico e/ou psicológico muito grande.
Hoje já existem alguns programas sérios como o “AGITA SÃO PAULO” , coordenado pela equipe do CELAFISC, do qual faço parte, que estão preocupados com os sintomas desta Síndrome que começa a aparecer e que desponta como um dos grande problemas de saúde do próximo século e do milênio, por isso estamos escrevendo este, pois a parcela de deficientes físicos será ainda mais penalizada, pelas dificuldades fisio – patológicas impostas aos mesmos bem como as barreiras sociais e familiares já mencionadas anteriormente entre outras.
Os portadores de deficiência mais do ninguém devem praticar uma atividade física, por isso estaremos agora descrevendo uma série de procedimentos que os mesmos podem e devem realizar em conjunto com seu processo de reabilitação ou de manutenção.
Os trabalhos abaixo descritos objetivam uma melhora global do paciente quanto ao quesito condicionamento físico, ou utilização da atividade física como componente do processo de reabilitação e principalmente da prevenção de lesões e patologias secundárias, pois muitas vezes a patologia principal não levará o paciente ao óbito e sim as secundárias ou complicações associadas a esta, por isso este tipo de prevenção que além de eficiente pode ser feito com um custo muito baixo.
TIPO DE TRABALHO:
– AERÓBIO – leva a uma melhora da capacidade funcional do coração, do transporte de oxigênio e um aumento da capacidade das fibras musculares de oxidar os açucares e ácidos graxos.
– ANAERÓBIO – leva a um aumento da resistência muscular, no que diz respeito á fadiga muscular, e a dor pelo acúmulo de ácido láctico, entre outros.
OBJETIVOS:
– RESISTÊNCIA AERÓBIA – é uma qualidade física que permite a um indivíduo sustentar por um longo período de tempo em determinada atividade física, nos limites do equilíbrio fisiológico, também chamado “steady – state”.
Tipo de trabalho que usamos principalmente para fortalecer as fibras de contração lenta, e usado para fins de diminuição da quantidade de células adiposas, ou seja, é o método usado para aumentar a resistência física e para emagrecimento.
Usado nos trabalhos de longa duração, para fortalecimento muscular, conseguimos realizar com sucesso este tipo de trabalho quando realizamos caminhadas, corridas, nadamos ou e principalmente para o deficiente ao realizar cicloergometria tanto de membros inferiores quanto de membros superiores.
O ideal é que realizemos este trabalho por um tempo superior a quinze minutos e mantendo um ritmo constante para que mantenhamos sempre o mesmo tipo de metabolismo como descrevemos abaixo.
O tempo ideal gira entre quinze e 60 minutos e deveria ser realizado com uma frequência nunca inferior a 4 sessões semanais.
– Ocorre um aumento da capacidade das mitocôndrias de gerar ATP por fosforilação oxidativa, aumento da capacidade de captação de oxigênio pelas mitocôndrias, aumento do tamanho das mitocôndrias e duplicação do potencial de atividade das enzimas do sistema aeróbio, a mioglobina do músculo esquelético é aumentada em até 80%, aumento da capacidade do músculo treinado de mobilizar e oxidar as moléculas de gordura, aumento global do fluxo de sangue, aumento da capacidade de oxidar carboidratos, desenvolvimento do potencial aeróbio de todas as fibras musculares, hipertrofia seletiva das diferentes fibras musculares (contração lenta)
– RESISTÊNCIA ANAERÓBIA – é uma qualidade física que permite a um indivíduo sustentar o maior tempo possível uma determinada atividade em condições anaeróbias, ou seja, em débito de O2.
Tipo de trabalho que usamos principalmente para fortalecer as fibras de contração rápida, é muito usada nos trabalhos de curta duração e de grande esforço físico (carga), é o sistema que usamos na maioria das atividade de nossa vida diária e deve sempre ser trabalhada.
O trabalho ideal consta de trabalhos com uma carga alta porém com uma curta duração, ou seja, devemos realizar este tipo de trabalho respeitando um limite de carga máxima de trabalho nunca superior a 80% da carga máxima total e nunca em tempo superior a 5 minutos, pois iremos provocar um processo de fadiga muscular acentuada pela alta produção de ácido láctico alterando toda a homeostase da célula muscular.
Pode ser realizado com trabalho com halteres, mas também pode ser feito na bicicleta ergométrica, ou em rampas durante a caminhada por exemplo.
– É um sistema de energia imediato e a curto prazo, produz um aumento dos níveis de substratos anaeróbios em repouso, aumento de cerca de 28%, em repouso, de ATP – CP, Creatinina Livre e Glicogênio, aumento na quantidade e atividade das enzimas que controlam o fracionamento da glicose (nas fibras de contração rápida), aumento da capacidade de suportar os níveis de ácido láctico, aumento dos níveis de glicogênio e aumento da tolerância a dor.
Para que consigamos chegar a estes objetivos é importantíssimo que os pacientes sejam orientados a prática esportiva e sempre com a instalação de objetivos a curto, médio e longo prazo e que estes sejam atingíveis pelos mesmos para que esta motivação seja ainda aumentada e nunca diminuída.
Com este tipo de trabalho executado com continuidade as complicações mostradas anteriormente podem ser totalmente excluídas ou pelos menos ter seus efeitos minimizados.
A atividade física bem orientada é essencial para o portador de defici6encia física em todas as fases do seu processo de reabilitação.




