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Terapia Manual e Espasticidade

Terapia Manual e Espasticidade

 

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Este trabalho surgiu da necessidade de buscar um tipo de terapia manual que pudesse ser aplicada nos pacientes portadores de Acidente Vascular Encefálico ou Doença Vascular Encefálica como vem sendo denominada atualmente por alguns autores, para a regularização ou normalização do tônus postural de base destes pacientes e que pudesse ser estendida a todos que delas necessitassem, pois as técnicas aplicadas hoje para este tipo de controle constituem-se principalmente do uso de medicações ou da aplicação da toxina botulínica e de fenol, cada vez mais caros e de difícil acesso a população com exceção de algumas pessoas que possuem um poder aquisitivo mais elevado.
O trabalho de pesquisa iniciou-se com uma busca nas bibliotecas da Universidade Bandeirante, da Universidade Guarulhos e da Universidade de São Paulo, bem como nos principais sites de busca e pesquisa da internet como Google, Cadê, Yahoo, Proquest, Bireme, Medline, Lilacs entre outros, usando como palavras chaves tanto em português como em inglês para o cruzamento das informações, os seguintes termos: Acidente Vascular Cerebral, Acidente Vascular Encefálico, Doença Vascular Encefálica, Hemiplegia, Espasticidade, Tônus, Miofasciaterapia, Propriocepção e Estimulação Proprioceptiva.
Com os termos descritos acima foram encontrados mais de 2000 textos, porém em nenhum destes as palavras cruzadas descreviam o uso da dígito pressão ou da miofasciaterapia ou terapia manual como meio de tratamento para normalização de tônus ou espasticidade em pacientes hemiplégicos. Como não foi encontrado este tipo de trabalho ficou resolvido que seria realizado uma pesquisa experimental do tipo Pré – experimental (Costa, 2001).
Foram selecionados 40 pacientes com características de hemiplegia, vítimas de Acidente Vascular Encefálico, de alguns centros de reabilitação da cidade de São Paulo como Fundação Selma, Clinica Bandeirante, APMDESP, e da cidade de Guarulhos na clínica da UNG, os quais foram avaliados com o uso da técnica de dígito pressão por 10 sessões e depois foram reavaliados com base nas escalas nacionais e internacionais, bem como na amplitude de movimento do membro superior acometido.
Com o estudo e aplicação das mais diversas técnicas de terapia manual, pode-se perceber que algumas manobras aplicadas no componente fascial dos músculos produzem uma alteração tônica importante, pois através de uma das técnicas de miofasciaterapia – a dígito pressão, será que poderemos aumentar a amplitude de movimento nos membros superiores de pacientes hemiplégicos?
Uma das conseqüências do aumento do tônus e da espasticidade é a perda da movimentação seletiva, a qual afeta, principalmente, o membro superior. Dependendo da dimensão da lesão, o paciente hemiplégico não realiza isoladamente a movimentação de mão, punho e cotovelo, comprometendo, também, a realização de movimentos finos em membros superiores (Botelho, 1999). Limitando com isso todas as suas atividades de vida diária e profissional e em certos casos também sua vida afetiva e social. Espera-se que com a aplicação da técnica de terapia manual miofasciaterapia – dígito pressão, possamos proporcionar uma melhora da qualidade de movimento seletiva do membro superior e posteriormente uma melhora funcional em suas atividades.
O objetivo deste foi verificar através de mensurações precisas com o uso de um aparelho (régua) denominado goniômetro, verificar as alterações de amplitude de movimento com relação a flexão e extensão de cotovelo do lado lesado, bem como o uso de tabelas validadas nacional e internacionalmente para verificar a possível eficácia da técnica escolhida para a realização deste trabalho. Demonstrar com este estudo que os profissionais de fisioterapia e de reabilitação em geral possam aplicar uma técnica de fácil aplicação e de baixo custo para proporcionar uma normalização tônica de membros superiores, proporcionando uma melhora das atividades funcionais dos pacientes hemiplégicos, acometidos de Acidente Vascular Encefálico.
A Terapia Manual, mais especificamente a miofasciaterapia – dígito pressão, possui vários papéis terapêuticos na organização tecidual, como facilitar os processos de reparo após lesões, sendo que a regeneração e o remodelamento dos tecidos dependem da estimulação mecânica durante o processo de reparo. Esta estimulação irá melhorar o comportamento mecânico e físico do tecido, como a força tensiva (tônus) e a flexibilidade, bem como afetar positivamente a estrutura do tecido.
As lesões no tecido como contraturas e aderências que geram encurtamento dos tecidos moles, são bastante comuns após as lesões no sistema nervoso central como no caso dos acidentes vasculares encefálicos. A manipulação deste tipo de quadro é empregada para alongar e normalizar os tecidos encurtados, melhorando a amplitude de movimento articular e reduzindo as tensões anormais no organismo.
O sistema nervoso central pode ser acessado por meio de ativação dos mecanorreceptores do corpo, os proprioceptores, pois estes podem influenciar profundamente o sistema motor e a atividade neuromuscular, levando a uma redução do tônus elevado por patologias neurológicas.
Os tecidos afetados pela terapia manual do tipo dígito pressão compreendem os ligamentos, tendões, cápsulas articulares, pele e fáscia, que são determinadas coletivamente como “tecidos moles” (Lederman, 2001).
O músculo esquelético possui grande capacidade de regeneração, e via de regra esta pode ser bastante rápida, mas para que isto ocorra é importante que tanto a irrigação sanguínea como a inervação muscular, não estejam interrompidas localmente (perifericamente) pela lesão.
Existem fortes indícios que a aplicação periódica de tensão moderada é essencial para a nutrição e cicatrização dos tecidos (Hargers, 1986), sendo que a as forças tensivas contribuem para uma maior aglomeração de colágeno, resultando em um tecido mais espesso e denso, produzindo um aumento na sua força e em sua rigidez. A compressão em contrapartida produz o efeito inverso, resultando em um tecido mais fino e de baixa qualidade mecânica (Lederman, 2001).
Durante a aplicação de cargas compressivas, o tecido irá encurtar-se e ficar mais largo, aumentando a pressão no seu interior e afetando positivamente (aumentando) o fluxo de fluidos, sendo que tanto o comprimento da fibra (alongamento) quanto o fluxo de fluidos são afetados pela compressão. O comportamento dos tecidos moles está relacionado com a propriedade do tecido conjuntivo, denominada “viscoelasticidade”, que confere ao tecido as propriedades mecânicas de seus componentes individuais, sendo que as viscosas (fluxo de fluidos) funcionam como uma espécie de lubrificante fisiológico.
Quando cessa a aplicação da força de compressão (dígito pressão) o tecido não retorna imediatamente ao seu comprimento original. Essa recuperação ou reparação transitória pode ser atribuída a propriedade viscosa semelhante a um fluido de colágeno (Carlstedt, 1989), ou seja, durante a aplicação da carga ocorre uma lenta drenagem de fluidos para fora da matriz celular, e o inverso quando a carga é retirada, ocasionando uma lenta absorção de líquidos para o interior dos tecidos, aumentando a sua lubrificação, possibilitando um aumento da amplitude de movimento local. Esta alteração está diretamente ligada ao tempo em que este estímulo (compressão) é mantido, sendo que a força de tensão constante do músculo é reduzida quase que pela metade após o primeiro minuto (Lederman, 2001).

O aumento da força de compressão também aumenta o ritmo do fluxo de fluidos. O aumento da pressão mecânica externa leva a compressão de um número maior de vasos linfáticos que poderiam não ser afetados por um estímulo de dígito pressão mais leve (pressão mecânica externa menor). Quanto mais forte a compressão aplicada, maior e mais profunda a área de tecido que está sendo comprimida, afetando um maior número de vasos linfáticos, porém em estudos com animais, uma pressão de 5 Kg e uma outra de 10 Kg provaram ser igualmente eficientes, na regulação tônica, pois mesmo a de 5 kg já é suficiente para atingir as estruturas acima mencionadas, pois a pressão contínua e intermitente sobre os tendões diminui a excitabilidade do neurônio motor, com a pressão acima citada percebeu-se através de estudos eletromiográficos que ocorreu a inibição da excitabilidade do neurônio motor por ativação de eferentes cutâneos. Essa estimulação produz um estado de inibição da espasticidade (Kukulka, 1986 e Leone, 1988). Em seres humanos estas alterações podem ser observadas depois de cerca de 9 sessões de terapia, pela grande influência da cognição na aceleração do processo de aprendizagem dos seres humanos (Evarts, 1989).

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