Adriano Amaral bg

Mckenzie – Síndrome do Distúrbio

Síndrome do Distúrbio Entendendo e Tratando
(Método Mckenzie)

 

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Definição

A síndrome de distúrbio pode ser definida como a dor lombar que surge como resultado da ruptura anatômica e do deslocamento de parte do complexo do disco intervertebral no nível espinhal afetada.

Características

1. Geralmente há dor constante no estágio agudo do distúrbio.
2. Geralmente mas não sempre, há o fator tempo implicado no desenvolvimento do distúrbio.
3. A dor é produzida ou aumentada imediata ou eventualmente por certos movimentos e posições.
4. Há um fator tempo implicado na redução do distúrbio.
5. A dor diminui ou é abolida gradualmente por outros movimentos ou posições.
6. Os movimentos repetidos melhoram ou pioram progressivamente a dor e a alteração permanece melhor ou pior como resultado.
7. A dor aparece durante a amplitude de movimento.
8. A patologia está presente: há sempre perda de movimento e de função frequentemente há deformidade.
9. A patologia é rapidamente reversível.

Razões para o desenvolvimento

No distúrbio a posição de repouso normal da superfícies articulares de duas vértebras adjacentes é perturbada como resultado de uma alteração na posição do complexo nuclear/anular entre essas superfícies. Isso conduz a estresses mecânicos alterados dentro e em torno do disco implicado. Enquanto estiver presente suficiente distúrbio no disco, algumas estruturas estarão submetidas a um aumento da deformação mecânica e à dor constante como resultado.
McKenzie (1981) conclui que os discos lombares são mais comumente lesionados em posições de flexão, especialmente quando esta for sustentada, como ocorre quando se fica sentado por períodos prolongados ou em pé, inclinado. Os fatores que contribuem para o desenvolvimento do dano ao disco são:

1. Acredita-se que, durante a flexão da coluna lombar, o núcleo migre posteriormente.
2. Na flexão, os estresses mecânicos sobre as estruturas posteriores da coluna vertebral aumentam, em particular o estresse tangencial sobre o anel posterior (Shah e outros, 1978).
3. Ao sentar-se com a coluna lombar em cifose, o estresse intradiscal é mais alto do que em qualquer outra posição sentada.

Tipos de distúrbio

MacKenzie (1981) reconhece 7 distúrbios diferentes, sendo que na maioria, eles aparecem intimamente correlacionados. Nem todos os pacientes com distúrbios se encaixam, nitidamente nessa classificação. São possíveis muitas variações nos distúrbios e há uma quantidade razoável de sobreposições.

Tabela de distúrbios

Distúrbio 1
Dor central ou assimétrica na região lombar
Raramente dor na nádega e/ou coxa
Nenhuma deformidade

Distúrbio 2
Dor central ou simétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Com deformidade de cifose lombar

Distúrbio 3
Dor unilateral ou assimétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Nenhuma deformidade

Distúrbio 4
Dor unilateral ou assimétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Com deformidade de escoliose lombar

Distúrbio 5
Dor unilateral ou assimétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Com ciática estendendo-se abaixo do joelho
Nenhuma deformidade

Distúrbio 6
Dor unilateral ou assimétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Com ciática estendendo-se abaixo do joelho
Com deformidade de escoliose lombar

Distúrbio 7
Dor simétrica ou assimétrica na região lombar
Com ou sem dor na nádega e/ou coxa
Com deformidade de acentuada lordose lombar

Dependendo do grau de distúrbio do disco, é possível distinguir dois diferentes estágios de distúrbio:

Protrusão do disco

A ruptura anular e o deslocamento dentro do complexo nuclear/anular resultam em uma protuberância da parede anular, e a protuberância do disco consiste principalmente de material anular. Nesse caso, a parede anular está ainda intacta e trataremos com uma protuberância de disco contido. O paciente é capaz de usar certas posições e movimentos para aplicar pressões redutivas reguladores e repetidas. Nesses distúrbios, a redução pode ser conseguida em 72 horas, mas ocorre muito antes. Nas maiores protrusões do disco, o distúrbio na posição de repouso anatômico normal das superfícies articulares, incluindo o disco afetado, pode ser grande a ponto de forçar as deformidades da cifose lombar, escoliose ou lordose acentuada no paciente. Isso corresponde a uns distúrbios 2,4 e 7.

Extrusão do disco

Como resultado de uma laceração da parede anular, o conteúdo da cavidade do disco irrompe no anel e pode depositar-se livremente no espaço extradiscal ou pode ser revestida por um fino pedículo. Nesse caso o distúrbio do disco está muito avançado ou mesmo no final, na maioria dos casos corresponde a um distúrbio 6, possivelmente 5. A parede anular estando fendida não é mais um disco contido. Os procedimentos mecânicos não influenciarão a posição do material discal deslocado e, não se consegue total redução utilizando-se posições e movimentos. O fracasso em responder a terapia mecânica é comum nesse grupo.
Dependendo da localização do distúrbio dentro do complexo articular intervertebral, temos dois tipos básicos de distúrbio:

Distúrbio posterior

Resultado de deslocamento posterior do complexo nuclear/anular do disco, correspondem ao distúrbio 1 ao 6. Os sintomas são:

1. O distúrbio póstero-central do disco.
2. O distúrbio póstero-lateral do disco.

Distúrbio anterior

Resultado do deslocamento anterior do complexo nuclear/anular dentro do disco, correspondem ao distúrbio 7. Os sintomas variam como ponto do distúrbio dentro do compartimento. Características anatômicas das estruturas implicadas (Armstrong, 1958):

1. O anel tem um raio maior anterior e lateralmente do que posteriormente.
2. Margens anteriores e laterais com anel inserido ao anel epifisário.
3. O anel anterior insere-se com o ligamento longitudinal anterior, inserido na superfície anterior dos corpos vertebrais.
4. Posteriormente, a inserção periférica do anel não é tão firme.
5. O ligamento longitudinal posterior com o qual o anel posterior insere-se é uma estrutura relativamente delgada e fraca.

Quadro clínico

Em sua maioria, os pacientes com distúrbios no disco intervertebral tem entre 20 e 55 anos de idade.
O distúrbio posterior parece ocorrer com mais frequência nos homens (McKenzie 1972, 1979).
Fatores que contribuem:
1. Os homens praticam atividades e trabalhos pesados.
2. Frequentemente é mais acentuada nas mulheres.

Histórico

Houve episódios anteriores de dor lombar de natureza similar. No distúrbio o início dos sintomas é repentino, as pessoas podem mudar de humanos perfeitamente normais a incapacitados. Quando há uma história de perda súbita de movimento, o distúrbio articular intervertebral está presente.
Não há razão aparente para o início da dor, está relacionado com os estresses mecânicos.
O distúrbio do disco pode surgir de:
1. Uma única dor grave.
2. Uma torção menos grave.
3. Um estresse de flexão sustentada.

Os pacientes contam que ficaram subitamente incapacitados pelo simples fato de se flexionarem. O início ocorre durante as primeiras horas do dia. Síndromes postural e funcional, a dor é sempre intermitente. Pode ocorrer dor intermitente nas seguintes situações:

1. O paciente pode ficar sem dor, enquanto estiver em movimento, mas pode sentir uma vez que esteja parado.
2. Em alguns pacientes distúrbios menores são produzidos e reduzidos, dependendo das posições ou atividades exercidas.

Exame

No exame, o paciente com síndrome de distúrbio demonstra má postura ao sentar-se, e é incapaz de fazer certos movimentos.
Quando o paciente é examinado em pé pode ser visto um desvio no trajeto do movimento sagital, quando se tentam a flexão e a extensão encontram-se as seguintes deformidades posturais:
Lordose lombar aguda, causada pelo deslocamento anterior e ântero-lateral.
Cifose lombar aguda, causada por deslocamento póstero-central do material do disco.
Escoliose lombar aguda, resultado de deslocamento póstero-lateral do material do disco, acompanhada por uma lordose reduzida.

Deformidade por desvio lateral

A coluna parece estar deslocada lateralmente da cintura para cima. Quando forem causadas por anomalias estruturais, o exame radiológico em pé pode ter valor diagnóstico.

O teste de movimentos

1. Teste de movimentos executados na posição ereta
1. Movimentos
1. flexão, em pé
2. flexão repetida, em pé
3. extensão, em pé
4. extensão repetida, em pé
5. deslizamento lateral, em pé (D)
6. deslizamento lateral repetido, em pé (D)
7. deslizamento lateral, em pé (E)
8. deslizamento lateral repetido, em pé (E)

2. Efeitos
1. movimentos ativos
2. o peso do corpo põe a coluna vertebral sob leve compressão axial
3. o movimento de flexão ocorre de cima para baixo
4. a articulação L5-S1 é pressionada por último

2. Teste de movimentos executados na posição deitada
1.Movimentos
a. flexão, deitado
b. flexão repetida, deitado
c. extensão, deitado
d. extensão repetida, deitado

2.Efeitos
a. movimentos passivos
b. pode-se aplicar sobrepressão na amplitude final
c. é eliminada a compressão axial devido ao peso do corpo
d. o movimento de flexão ocorre de baixo para cima
e. a articulação L4-S1 é pressionada primeiro

Com testes de movimentos são avaliados os seguintes fatores:

1. Amplitude de movimento
2. Trajeto do movimento
3. Momento do surgimento da dor
4. Comportamento da dor

A periferalização e a centralização dos sintomas são fenômenos que ocorrem apenas na síndrome de distúrbio. A periferalização indica o desenvolvimento do distúrbio, ao passo que a centralização indica redução.

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