Adaptação Postural
É importante que um paciente entenda por que um grupo muscular vai adaptar-se a determinadas condições e quais as variáveis envolvidas nesse mecanismo.
Embora o fisioterapeuta esteja habituado a identificar uma retração muscular e a orientar exercícios de alongamento, com o objetivo de impedir a instalação de uma retração ou como tratamento de um encurtamento muscular já estabelecido, ele não entende os mecanismos envolvidos na resposta muscular consequente à sua intervenção. Assim sua avaliação e intervenção ficam limitadas.
As fibras musculares esqueléticas apresentam plasticidade, ou seja, possuem capacidade de adaptação a determinados estímulos, alterações das condições hormonais, etc.
Trabalhos experimentais realizados nas décadas de 60 e 70 identificaram que o músculo aumentava seu comprimento por meio de adição de sarcômeros ao longo das fibras musculares. Neste período, já era considerada a hipótese de adaptação das fibras musculares esqueléticas a diferentes graus de extensão com provável remoção ou adição no número de sarcômeros em série; conforme a demanda funcional e o grau de extensão a que o músculo é submetido.
Estudos posteriores mostraram que a imobilização dos músculos em posição alongada acarreta aumento no comprimento muscular pela adição no número de sarcômeros em série.
Estudos mais recentes realizados em músculos de coelho, identificaram, 6 dias após imobilização em posição alongada, hipertrofia, aumento no conteúdo total de Insulin Grow Factor I, aumento no percentual de fibras que expressam miosina do tipo I e miosina neonatal.
Todos os estudos que tiveram por objetivo compreender o mecanismo de desenvolvimento e adaptação do músculo esquelético permitiram algumas importantes conclusões.
a) O músculo adapta-se a alterações em seu comprimento por meio da regulação do número de sarcômeros em série;
b) A posição (encurtada ou alongada) em que o músculo é mantido é fator determinante na regulação do número de sarcômero em série (diminuindo ou aumentando, respectivamente)
c) Embora a adaptação das fibras musculares ocorra tanto em posição de encurtamento como do alongamento, a resposta em relação ao número de sarcômeros é mais intensa na posição encurtada (redução de 40% do número de sarcômeros em série) do que a posição alongada (aumento de 20% no número de sarcômeros em série).
d) O grau de atrofia muscular observado durante a imobilização é maior no grupo encurtado.
e) A posição de alongamento, além de impedir o encurtamento e a atrofia muscular, ativa a síntese proteica e a adição de sarcômeros em série.
É de extrema importância para o Profissional fisioterapeuta e para os pacientes entenderem esse mecanismo e como este conhecimento pode e deve ser aplicado no seu dia a dia.




