Eletromiografia
O conhecimento que sempre se teve sobre o funcionamento do sistema Nervoso Autônomo era o de um conjunto de funções biológicas inconscientes, involuntárias e auto-reguladas. A auto regulação era concebida como um processo imutável, onde leis rígidas definiam o modus operandi de funções como o ritmo cardíaco, a frequência respiratória, o fluxo sanguíneo, entre outras. Neal Miller, um dos mais renomeados psicológicos experimentais de nosso tempo, em meados de 1960 manifestou sua convicção de que as funções biológicas sob o controle do SNA poderiam ser manipuladas e colocadas sob o controle consciente através da aprendizagem instrumental.
Miller acreditava que se houvesse um indicador revelando o estado de alguma dessas funções, seria possível condiciona-la, do mesmo modo como fora possível condicionar as funções do Sistema Nervoso Somático. Vencida certa dificuldade técnica, Miller demonstrou o acerto de suas suposições. Com o desenvolvimento tecnológicas na área da computação, criou-se condições para o controle instantâneo de um conjunto de funções autonômicas em seres humanos. Nasceu assim o biofeedback.
HISTÓRIA
Com os avanços científicos e tecnológicos tem permitido o desenvolvimento das mais variadas técnicas de abordagem da mente e do corpo em um nível nunca antes imaginado. A década de 90 vem sendo considerada como a década do cérebro, justamente pela razão de o homem avanços relativos ao funcionamento cerebral, que tem sido de tal grandeza. O crescimento tecnológico tem permitido o desenvolvimento das mais variadas técnicas de abordagem da mente e do corpo em um nível nunca antes imaginado.
São as modernas Tecnologias da Mente onde se incluem o Biofeedback, as mindmachines ( aparelhos de estimulação cerebral por luz e som ), CES ( aparelhos de estimulação elétrica do cérebro ), as técnicas de aprendizagem acelerada, etc. Dentre elas se destaca o Biofeedback como a mais revolucionária e promissora forma de abordagem do funcionamento no século XXI.
Esta forma de terapia, muito difundida em países desenvolvidos como os EUA, Japão, Canadá, França, etc., tem apresentado inconcebíveis há uma ou duas décadas atrás. No Brasil apenas recentemente tal modalidade terapêutica foi introduzida.
O QUE É BIOFEEDBACK?
É um eletromiograma de superfície que registra os potenciais de ação das contrações musculares sem efração cutânea e traduz sua intensidade por sinais visuais ou sonoros. Esses sinais aumentam proporcionalmente a contração a
fim de devolver a informação ao indivíduo que poderá desta maneira controlar sua contração (aumentá-la ou diminuí-la). Esse procedimento permite a reeducação ativa controlada e exige cooperação do paciente.
É uma técnica em que se aprende o controle voluntário de funções fisiológicas das quais a pessoa normalmente não tem consciência, com a finalidade de recuperar, manter ou melhorar sua saúde e/ou seus desempenhos. O treinamento em biofeedback entrou em uso quando o demonstrou ser útil, no ensino e aprendizado de processos de auto-regulação que envolve treinamento.
Em ambientes educacionais e empresariais, o biofeedback é utilizado para o desenvolvimento de relaxamento profundo e gerenciamento do stress.
Em ambientes clínicos, o biofeedback pode ser usado para reduzir ou eliminar sintomas de desordens orgânicas ou relacionadas ao stress, para recuperar funções musculares, e reduzir a dor resultante de um ferimento ou doença.
A meta principal do biofeedback, é a auto-regulação, aprendendo como controlar tanto os processos físicos, quanto mentais, o organismo é levado a um funcionamento melhor e mais saudável.
Interesse na Reeducação Funcional
O Biofeedback leva o paciente a constatar seu estado fisiológico, habitual e o ensina a modificá-lo, sendo coadjuvante dos tratamentos de fortalecimento muscular, mas também no trabalho de contraturas musculares e da espasticidade.
Permite ao indivíduo visualizar a contração dos músculos selecionados pelo fisioterapeuta para execução de um movimento preciso: amiotrofias, atrofias musculares, plasias musculares, reaparecimento de contração muscular durante uma reinervação.
Isto é feito através do uso de determinados aparelhos que medem com precisão e instantaneamente como se encontra a função fisiológica em estudo informada ao sujeito, de modo visual ou sonoro, quais os valores medidos. Com esta informação e orientado pelo biofeedback terapeuta, o sujeito tem possibilidade de alterar tais valores, para mais ou para menos, segundo a sua vontade e conforme o que for mais desejável. Com um treinamento repetido, supervisionado pelo biofeedback terapeuta, o sujeito consegue condicionar aquele processo fisiológico a funcionar de modo estável e desejado. A meta do treinamento de biofeedback é a auto-regulação.
O USO DA ELETROMIOGRAFIA NA FISIOTERAPIA.
Eletromiografia é, essencialmente, o estudo da atividade da unidade motora. Unidades motoras se compõem de uma célula do corno anterior, um axônio, suas junções neuromusculares, e todas as fibras musculares inervadas por este axônio. O axônio simples conduz um impulso para todas as suas fibras musculares, fazendo com que sofram despolarização de modo relativamente simultâneo. A despolarização produz atividade elétrica, que se manifesta como potencial de ação da unidade motora que é graficamente registrada como eletromiograma. Frequentemente é tranquilizante para o paciente compreender que a eletromiografia apenas registra a atividade elétrica já presente no músculo em contração, ao contrário de uma possível introdução de energia elétrica no seu corpo.
Eletromiografia Cinesiológica: Uso na Clínica
Além de funcionar como um instrumento-padrão para a avaliação neuromuscular, a eletromiografia pode ser auxiliar extremamente útil à clínica médica. Os fisioterapeutas vêm-se tornando cada vez mais envolvidos no uso da eletromiografia cinesiológica, para o exame da função muscular durante tarefas intencionais específicas, ou regimes terapêuticos.
Com esta finalidade, os terapeutas não mais estão envolvidos com o exame de potenciais de unidades motoras isoladas; mas, ao invés, passam a observar os padrões de resposta muscular, início e cessação da atividade, e o nível de resposta muscular em relação ao esforço, tipo de contração muscular e posição. Os terapeutas podem usar a eletromiografia na avaliação da capacidade dos exercícios em facilitar ou inibir a atividade muscular específica; deste modo podem determinar se as metas terapêuticas estão sendo realizadas. Diante da crescente necessidade de validação da eficácia terapêutica, a eletromiografia representa um meio objetivo para a documentação científica.
Aplicações Clínicas
Os terapeutas podem usar a eletromiografia como abordagem auxiliar ampla a uma ampla variedade de aplicações para avaliação e tratamento. Esta abordagem deve ser diferenciada do biofeedback pela eletromiografia , em que a eletromiografia é empregada para fornecer informações ao paciente, permitindo-lhe que aprenda a controlar suas próprias respostas neuromusculares. As aplicações cinesiológicas envolvem o uso da eletromiografia: para obtenção de informações para o terapeuta; para a identificação de atividades que de outra forma passariam despercebidas; para permitir o ajuste da técnica ou posição; e para a obtenção de informações acerca da afetividade de um procedimento específico. O terapeuta precisa determinar quais músculos se combinam para o desempenho do movimento. Interpretando o resultado do teste em termos de um padrão geral da atividade muscular. Então certamente o sinal de eletromiografia não pode ser atribuído a qualquer músculo, não sendo possível determinar qual músculo contribui mais ou menos para o resultado total. Quando a atividade de um músculo isolado tem interesse, os eletrodos de superfície devem ser posicionados tão próximos quanto possíveis sobre o ventre do músculo, para evitar que seja registrado o extravasamento da atividade da musculatura adjacente.
Ficou estabelecido não ser possível “medir” o tônus com eletrodos de superfície. Contudo, é possível monitorar o nível da atividade da unidade facilitado por um estímulo como alongamento passivo, por uma modalidade terapêutica ou através de alterações posturais (assumindo que o comprimento do músculo não sofreu significativa alteração). O eletromiograma não pode distinguir a contração voluntária da atividade reflexa, e que o resultado (output) pode ser uma função de ambas as ocorrências.
Teste Muscular Manual
A eletromiografia pode ser usada na avaliação do grau de esforço durante os testes de interrupção isométrica. Eletromiografia também pode auxiliar na identificação de substituições.
Contudo deve-se ter o cuidado de interpretar um músculo como “substituto” de um músculo movimentador primário, quando se trata de um sinergista de um estabilizador.
Reações de Equilíbrio
A eletromiografia pode ser empregada na avaliação da amplitude e regulação do início (de atividade) dos grupos musculares de sustentação, para que sejam descritos os padrões de respostas. As estratégias terapêuticas podem ser direcionadas para a facilitação ou inibição de grupos de equilíbrio ou transferência de peso corporal.
Marcha
A eletromiografia pode ser usada na avaliação da atividade muscular durante a marcha , se a instrumentação permite o acompanhamento simultâneo e coordenado da atividade; por exemplo, filme, vídeo tape, eletrogoniômetros, ou interruptores de contato e de apoio. A velocidade da marcha precisa ser considerada, em termos de seus efeitos sobre a eletromiografia. A marcha é um importante exemplo de uma situação em que o desempenho funcional precisa ser a principal consideração, e o eletromiograma será usado apenas com finalidades de informação.
Movimento Passivo
A eletromiografia pode auxiliar na definição de serem os movimentos verdadeiramente passivos. Nesta situação a eletromiografia pode agir como um dispositivo de biofeedback, tanto para o terapeuta quanto para o paciente. O alongamento passivo aplicado a um músculo relaxado normal não promove apreciável atividade no eletromiograma, independentemente da velocidade do movimento.
Padrões do Movimento
O fisioterapeuta pode empregar o eletromiograma na observação dos efeitos do tratamento sobre padrões de resposta muscular, as relações agonista-antagonista, podem ser examinadas e a contração ou inibição recíproca pode ser documentada.
Procedimentos terapêuticos específicos como a tração ou aproximação, e atividades como exercícios em esteira de PNF (facilitação neuromuscular proprioceptiva) podem ser estudados e os padrões de atividade musculares podem ser mais objetivamente determinados do que apenas por observação visual. As interações musculares podem ser examinadas também durante os exercícios isocinéticos, em que a velocidade de movimento pode ser controlada e a amplitude de movimento (AM) facilmente rastreada.
Recrutamento de Músculos Específicos
Visto ser força geralmente medida através de uma articulação, por representar o torque resultante gerado por muitos músculos, o eletromiograma pode ajudar na determinação de se um músculo específico está participando na ação. Por exemplo, o eletromiograma tem sido empregado na avaliação da contribuição diferencial de partes do quadríceps femoral à extensão do joelho, na avaliação do papel do vasto medial nas síndromes patelares e na demonstração do efeito de posições variadas dos quadris e joelhos nesta atividade. A demonstração do efeito de posições variadas dos quadris e joelhos nesta atividade. A eletromiografia tem sido utilizada para determinar se músculos específicos estão ativos durante o desempenho dos padrões de PNF e na documentação do efeito da espasticidade sobre tais padrões em pacientes hemiplégicos. Clínicos têm empregado a eletromiografia para a observação do efeito da posição do corpo durante exercícios específicos para minimizar a sobrecarga sobre a musculatura lombar; estes profissionais examinaram a capacidade dos exercícios de extensão do joelho para o recrutamento seletivo de porções do quadríceps femoral; e demonstraram que a musculatura específica pode ser isolada durante as atividades que empregam o controle voluntário.
Os terapeutas precisam usar sabiamente o eletromiograma, reconhecendo, contudo, suas limitações como instrumento de mensuração. A eletromiografia mostra que um músculo trabalhando, e pode ser interpretada apenas como uma medida da atividade da unidade motora. A eletromiografia não pode ser determinada que um tratamento é “efetivo” no sentido de atingir resultados funcionais previstos. Por si, a eletromiografia não pode fornecer informações sobre um músculo que passou a ser mais forte ou mais fraco, ou se ele está hipertônico ou hipotônico. Mas a eletromiografia pode fornecer informações durante o tratamento ou avaliação que podem aumentar a eficácia. Para o terapeuta. É uma forma de feedback, que pode ser inestimável em situações em que não são observáveis movimentos ou contrações musculares manifestos.




