Marcha e Deambulação
A marcha referindo-se aos humanos é uma das ações mais fundamentais da vida. Muitas vezes um indivíduo tem dificuldades em andar e pode até ser funcionalmente impossível, ou poderia na verdade, pois alguns novos equipamentos que começam a surgir no mercado podem facilitar o trabalho das pessoas que sofreram algum tipo de lesão ortopédica ou neurológica.
Uma compreensão da análise da marcha nos leva a pensar que ela é habitual na natureza, e costumamos a focar nossa análise na chamada ciclo da marcha ou da passada. O comprimento da passada ou do passo compreende a distância coberta pelo ciclo. A cadência pode ser expressada em passadas por minuto ou passos por minuto.
O ciclo da marcha é dividido em 2 fases, sendo uma de Apoio e uma de Balanço. Na fase de Apoio temos a aceitação do peso e o apoio em um único membro. Na Aceitação do Peso temos o contato inicial e a resposta ao carregamento. Na fase Apoio em um único Membro temos uma divisão onde fazemos o Apoio Médio e após o Apoio Terminal. Na fase de Balanço, temos o Avanço do Membro que se divide em Pré – Balanço, Balanço Inicial, Balanço Médio e Balanço Terminal.
Quando o ciclo acima mencionado termina temos um passo ou uma passada completa e assim sucessivamente, gerando um padrão de marcha e até mesmo uma caminhada.
O custo energético para a realização de um ciclo de marcha equivale a aproximadamente quatro a cinco vezes o gasto da taxa metabólica basal, a velocidade da marcha ou o chamado ritmo de marcha de uma pessoa é sempre a velocidade que exige a menor energia por unidade de distância.
O contato inicial com o solo ocorre tipicamente com o calcanhar. A resposta a carga tem como finalidade prover a aceitação do peso e o amortecimento do choque enquanto mantem a progressão para a frente. No Apoio Médio o membro suporta o peso corporal completo á medida que o membro contralateral balança para a frente. No Apoio Terminal a massa do corpo continua a progredir sobre o membro á medida que o tronco se desloca para a frente. A finalidade do Pré – Balanço é começar a impulsionar o membro para gente para a fase de balanço. O Balanço Inicial tem a finalidade de continuar a impelir o membro para a frente. O Balanço médio é a fase em que o membro continua a avançar para a frente como um pêndulo. Na fase de Balanço Terminal o impulso gerado tem que ser controlado para manter a estabilidade antes da fase de aceitação do peso e do ciclo ser reiniciado.
Como descrevemos acima “um simples passo” gera uma quantidade gigantesca de informações proprioceptivas de tônus, contração e relaxamento muscular, ajuste tônico e ainda temos as informações preditivas cerebelares que nem estamos discutindo. Visto isso a possibilidade da execução de uma marcha passiva passa a ser uma possibilidade interessante para um sem número de pessoas acometidas por vários tipos de patologias.
Com estas informações em mãos e na impossibilidade da execução da marcha “natural”, podemos oferecer algumas possibilidades da execução da marcha com o uso de simuladores de caminhadas.
Estes simuladores como o “NeuroAction” por exemplo desenvolvido no Brasil apresenta uma nova abordagem na metodologia de reabilitação. Ele é um dispositivo para pessoas que sofrem de patologias que geram paresias ou plegias (paralisia) dos membros inferiores lhe permitindo realizar este complexo controle de movimentos chamado MARCHA.
Com este tipo de equipamento podemos fazer com que os pacientes possam voltar a realizar atividades sob o efeito da gravidade em seus corpos e tecidos e órgãos. Ao se mover ativamente com apoio de seus membros superiores, ocorre a carga natural do corpo na posição vertical, forçando seus membros inferiores a se moverem e consequentemente simulando o andar.
Este tipo de equipamento possibilita que o corpo esteja sujeito a carga natural que ocorre na posição vertical e que as articulações são postas em movimentos alternados com o trabalho ritmado gerando um aumento da neuroplasticidade local, melhora das capacidades cardiopulmonares, aumento do fluxo circulatório, prevenção de infeções urinárias, aumento da motilidade intestinal, diminuição do risco de perda óssea (osteoporose e osteopenia), prevenção de contraturas e encurtamentos proporcionando uma melhora da condição corporal geral, sem contar os ganhos psicológicos deste tipo de atividade.
A sensação de “desfrutar de uma caminhada” gera um padrão de satisfação do corpo e da mente já após as primeiras sessões de trabalho no simulador de caminhada. Ao término da sessão de trabalho o paciente desfruta de um relaxamento muscular, de ganho de Amplitude de Movimento, liberação articular, etc. melhorando assim sua qualidade de vida.
Concluímos com isso que muitas pessoas possam ser beneficiadas com seu uso contínuo e ininterrupto, desde que corretamente prescrito e executado pelo paciente de acordo com a prescrição profissional de seu Fisioterapeuta.




