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Hidroterapia aplicada nas Dores Cervicais

Hidroterapia aplicada nas Dores Cervicais

 

A Síndrome Tensional do Pescoço é uma desordem orgânica e funcional, provocada pelo trabalho repetitivo, aumento da carga muscular estática, postos de trabalho inadequado. Deve-se a posição inadequada da cabeça e do membro superior durante uma determinada atividade.

As queixas principais deste tipo de paciente são as constantes dores no pescoço (região cervical) e ombro, fraqueza e fadiga muscular, parestesia (diminuição de força e ou formigamentos). Já os sinais clínicos demonstram uma hipersensibilidade muscular, contratura muscular com a presença de nódulos dolorosos, dores a palpação na região cervical e no músculo trapézio (principalmente fibras superiores), aumento do tônus muscular, limitação dos movimentos, diminuição da lordose cervical (fisiológica) e uma queda do ombro levando a dismetria.

A conduta terapêutica normal é feita com repouso, afastamento do trabalho, relaxante muscular (uso de drogas), calor superficial e profundo o uso de colar cervical e fisioterapia, principalmente com uso da Reeducação Postural Global (R.P.G.), massagem e manipulação da região cervical e a hidroterapia que é um conceito novo neste tipo de tratamento.

No tratamento dentro da piscina, teremos vários benefícios já na imersão quando os princípios físicos da água começarem a agir sobre todo o corpo, como por exemplo:

A força Peso é importante, quando pensamos nos efeitos dentro da água, e quando pensamos nestes efeitos chegamos a seguinte conclusão: A força peso atua nas partes de nosso corpo que estão acima da folha (superfície) da água, ela é anulada nesta folha de água pois ela se equivale com a força de empuxo e  fica diminuída na parte imersa do corpo.

A flutuação é a força, experimentada como empuxo para cima, que atua em sentido oposto à força da gravidade.

         Existem certos fatores que podem e irão influenciar a flutuação de um paciente, como por exemplo:

–         a posição da cabeça, ou seja, quando colocamos a cabeça (coluna  cervical) em posição de flexão, nós limitamos a entrada de oxigênio para os pulmões, e ainda colocamos o pulmão de uma forma, onde não o auxiliamos na flutuação, pois todos o gás dos pulmões desloca-se para os ápices pulmonares, diminuindo com isso a área de flutuação pulmonar. Já quando colocamos a coluna cervical em extensão, aumentamos o fluxo de ar para os pulmões e mecanicamente a caixa torácica é deslocada anteriormente, aumentando a área de flutuação corporal. E como esta patologia é caracterizada por um problema postural da Coluna cervical este tem um fator importante, pois quando colocado em extensão e em posição relaxada ocorre uma descompressão dos nódulos citados acima, evitando a parestesia e melhorando os sintomas.

–         A quantidade de ar nos pulmões, porque nós sabemos que nossos pulmões funcionam como boias quando imersas em um meio líquido, e a nossa flutuação irá depender da quantidade de gás nos mesmos, ou seja, quanto mais oxigênio, maior a flutuação. Outro fator importante, pois, a inspiração diafragmática combinada com um bom processo expiratório leva a um relaxamento do músculo trapézio, que é acometido e essencial ser bem trabalhado, pois por excesso de tensão esta síndrome pode irradiar e comprometer também os membros superiores.

–         Tensão muscular, pois como vimos o que nos garante uma boa flutuação é a quantidade de gás (oxigênio) que temos em nosso corpo, e quando apresentamos um “corpo com tônus elevado (tenso)” as fibras musculares ficam encurtadas dificultando a passagem deste oxigênio pelas mesmas, diminuindo a capacidade de flutuação do corpo quando este está contraído e quando conseguimos um relaxamento muscular adequado, a flutuação irá aumentar, e um dos sintomas é o aumento de tônus muscular, limitando os movimentos e com este relaxamento poderemos aumentar a amplitude de movimentos ocasionando um relaxamento da musculatura cervical e de todo o membro superior.

A pressão hidrostática é a mais importante das forças atuantes sobre corpo imerso em água, pois esta força realiza uma pressão sobre todas as partes imersas dando estímulos proprioceptivos aos barorreceptores corporais, durante todo o tempo de imersão provocando inúmeros benefícios proprioceptivos. Quando estes barorreceptores são estimulados eles aumentam o limiar deste, diminuindo o processo álgico, e levando a melhorias do quadro geral do paciente.

A turbulência é um movimento irregular do líquido, o movimento variando em qualquer ponto fixo. Este tipo de fluxo cria ocasionais movimentos rotatórios denominados redemoinhos. Este movimento da água produz um efeito massageador sobre o corpo imerso na água, aumentando ainda mais o estímulo aos barorreceptores citados anteriormente.

O calor é importante como forma de temperatura, pois é através dele que iremos decidir a temperatura ideal para realizarmos nossa terapia.

Nós iremos definir os termos água quente e água fria, e para isso iremos usar um princípio da calorimetria, onde vamos considerar o corpo humano como um bom condutor de calor, e a partir deste critério, definiremos água quente, que será qualquer temperatura acima da temperatura corporal, ou seja, quando o nosso corpo estiver recebendo calor da água, diremos que estamos realizando uma terapia em água quente e quando estivermos perdendo calor para a água diremos que estamos trabalhando com água fria.

Dentro deste critério, poderemos definir a temperatura da água como ideal, para este tipo de paciente quando ela se encontra em uma temperatura de 34º a 37º C. Para as patologias reumatológicas, temos resultados muito bons com temperaturas acima de 35º C, como 37ºC a 39ºC, e este fator irá produzir:

–   Elevação da Temperatura Corporal

–   Vaso – Dilatação periférica

–   Aumento da Frequência Cardíaca

–  Pequeno Aumento da Pressão Arterial

–  Posterior queda da Pressão Arterial

–   Aumento da Frequência Respiratória

–   Diminuição do Tônus

Estes dados são importantes para termos como base, porque no momento em que nosso paciente entra no meio aquático estas alterações ocorrem rapidamente e as mesmas podem complicar a situação do mesmo se não levarmos em conta o poder de auto regulação do nosso organismo que leva cerca de 3 a 6 minutos para se adaptar a estas novas situações provocadas pela imersão.

–         Elevação da Temperatura Corporal – porque nosso corpo sendo um bom condutor de calor irá receber este do meio aquático, até que a temperatura destes se equiparem.

–         Vaso – Dilatação periférica – em virtude deste recebimento de calor da água, isto irá estimular os termos receptores das células, provocando um efeito de vaso dilatação periférica, aumentando com isso o metabolismo local, melhorando a drenagem linfática, diminuindo por exemplo um processo inflamatório.

–         Aumento da Frequência Cardíaca à em virtude desta vaso dilatação periférica, e para suprir este aumento do metabolismo, o nosso coração deve aumentar a sua frequência de contração para suprir esta demanda extra de sangue a que nosso organismo irá necessitar.

–         Pequeno Aumento da Pressão Arterial à com  este aumento da frequência e do metabolismo celular causado pela água quente, também irá causar um pequeno aumento da Pressão Arterial, pois se nossos vasos periféricos estão com seu calibre aumentados, precisaremos que o sangue ejetado por nosso coração saia com força (pressão) suficiente para permitir que este chegue em todos os locais necessários.

–         Posterior queda da Pressão Arterial  à após este pequeno aumento de pressão, como está ocorrendo uma vasodilatação periférica, nossos vasos estão em sua elasticidade máxima, devendo voltar ao normal, e para isso nossos mecanismos de auto regulação, no caso,  os termo e os barorreguladores (receptores)  enviam mensagens para o Sistema Nervoso Central, para que este metabolismo seja diminuído, e com isso é provocada uma diminuição da pressão arterial.

–         Aumento da Frequência Respiratória à em virtude do efeito da pressão da água (hidrostática) de compressão da caixa torácica, e para se expandir normalmente terá de aumentar a sua frequência respiratória.

–         Diminuição do Tônus à em virtude do aumento do metabolismo celular, este irá aumentar a absorção de Cálcio, facilitando a repolarização das células do fuso muscular, fazendo com que o tônus fisiológico seja diminuído, e ainda teremos o efeito da pressão da água sobre o labirinto, diminuindo que ira diminuir globalmente o tônus.

 

EFEITOS FISIOLÓGICOS DA HIDROTERAPIA

 

01 – Alívio da Dor, ocorre pelo efeito térmico (frio ou quente) provocado pela ação da água, bem como pelo efeito da pressão hidrostática nos barorreceptores, que irão produzir um relaxamento muscular e posterior diminuição da dor. Feito extremamente importante quando se fala de LER/ DORT/ AMERT, pois o maior problema que leva a incapacidade é a dor, e esta será diminuída por este tipo de tratamento.

02 – Diminuição dos Espasmos musculares, um efeito   parecido com este acima, irá acontecer, aumentando a absorção do Cálcio circulante no organismo, levando a um relaxamento muscular e posterior diminuição dos espasmos.

03 – Relaxamento Muscular, o efeito provocado nos termos e nos barorreceptores irá produzir um efeito de relaxamento muscular, pois irá também aumentar a circulação sanguínea promovendo uma maior absorção do Cálcio no músculo, permitindo assim um relaxamento das fibras musculares.

04 – Aumento de Amplitude de Movimento, pelo efeito da ação da resistência oferecida pela esteira, no sentido contrário ao do movimento, obrigando esta articulação a ceder e a aumentar esta amplitude.

05 – Aumento da Circulação Sanguínea, em virtude do aumento da temperatura corporal, o organismo irá tentar compensar esta diferença térmica aumentado a circulação sanguínea, e com este aumento ele irá provocar várias alterações, pois irá aumentar a chegada de oxigênio as áreas hiperemiadas etc.

06 – Diminuição do Tônus Muscular, pelo efeito dos estímulos da temperatura sobre os termos receptores corporais.

07 – Melhora das Condições Cutâneas, pelo efeito proprioceptivo gerado pela pressão hidrostática sobre as áreas do corpo imersa.

08 – Fortalecimento Muscular, em virtude da resistência oferecida pela água aos movimentos.

09 – Aumento de Força Muscular, só de estar imerso o Tônus fisiológico corporal já é alterado, gerando um aumento da força muscular do paciente.

10 – Aumento da Resistência Muscular, o tempo a que este corpo ficará exposto irá aumentar o grau de resistência muscular, pois deste será solicitado um aumento de tônus fisiológico, bem como será exigido um grau de esforço muscular mais acentuado, porém sem levar a fadiga acentuada, o que irá permitir um esforço físico muitas vezes maior, gerando assim este aumento da resistência muscular, principalmente porque os limiares de suporte do ácido láctico serão aumentados, aumentado com isso o suporte ao limiar de dor.

11 – Aumento do moral e ganho psicológico do paciente, a terapia dentro da água é extremamente gratificante, facilitadora e não gera maiores riscos como quedas por exemplo, permitindo ao paciente executar movimentos e trabalhos os quais o mesmo não poderia executar fora deste ambiente e isto promove enormes ganhos psicológicos para este, pois ele irá se sentir capaz novamente.

 

 Conclusão à estes efeitos associados aos diversos tipos de mobilizações, estabilizações, movimentos e posturas de alongamento e as diversas técnicas como o Bad Ragaz, Watsu e Halliwicki, irão proporcionar um grande ganho e melhora do quadro clínico deste paciente. Em virtude dos fatos mostrados acima o tratamento na piscina deve sempre ser indicado a estes pacientes e o mesmo deve ser combinado com o tratamento convencional já citado anteriormente e possibilitando um retorno mais rápido deste paciente a suas atividades normais.

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