O CAMPO DE APLICAÇÃO DO BIOFEEDBACK
Indicações
O biofeedback é uma terapia revolucionária e tudo indica ser uma das terapias do futuro. Seu campo de aplicação é muito amplo e a cada dia surgem aplicações em novas áreas.
A aplicação de biofeedback na fisioterapia visa o tratamento das seguintes patologias:
– Incontinência fecal e urinária
– Dor patelo-femural
– Pós-operatório do joelho
– Dor crônica das costas
– Recuperação pós TCE (traumatismo Crânio-encefálico)
– Recuperação pós AVC ( Acidente Vascular Cerebral )
– Recuperação da enxaqueca
– Recuperação da cefaléia de tensão
– Recuperação de disfunções neuro-musculares
– Stress, estafa e síndrome de fadiga crônica
– Dores crônicas lombares, na nuca e ombros.
– Problemas musculares como torcicolo, bruxismo.
– Doença de Raynaud
– Quadros ansiosos, fobias, síndrome do pânico, distúrbio obsessivo-compulsivo (DOC).
– Distúrbios de aprendizagem, em especial os devidos a déficit de atenção com ou sem hiperatividade (ADD/ADHD).
– Depressão
– Alcoolismo e dependência a drogas
– Hipertensão arterial essencial, arritmias cardíacas.
– Asma e doenças alérgicas
– Insônia
– Tratamento da dor de membros fantasmas
– Ajuste Ergonométrico de Estações de Trabalho
– Ajuste Ergonométrico de Consultórios Dentários
– Treinamento em Atenção Cinestésica no Local de Trabalho
– Diagnóstico, Prevenção e Tratamento das Ler ( Lesões por Esforços Repetitivos).
Além do seu aspecto terapêutico o biofeedback é uma ferramenta educacional, prestando-se ao aprimoramento de desempenhos. Nesse sentido, tem sido aplicado nas equipes olímpicas (EUA, Canadá, Japão) visando levar seus atletas a alcançarem desempenhos máximos, de excelência (peak performance). Contudo o treinamento de desempenhos de excelência não se restringe à esfera esportiva, aplicando-se a outras classes de desempenho, como os da esfera executiva, a educacional, a de comunicações, etc.
Contra – indicações.
Em pacientes portadores de lesões neurológicas, o estado mental pode estar afetado. As deficiências cognitivas podem oscilar desde a perda da consciência até deficiências de memória, julgamentos imprecisos, períodos curtos de atenção distratibilidade ou dificuldades no processamento e aprendizado de informações. Portanto, neste caso a capacidade do paciente em seguir instruções e compreender a tarefa a ser desenvolvida estará afetada.
O paciente com comprometimento visual ou auditivo não poderá se conscientizar sobre a sub ou superatividade muscular que, através de feedback visual e/ou auditivo, leva à resposta cortical e com isso a participação do paciente que deveria ser ativa, estará comprometida.
Em doenças progressivas, o biofeedback é desfavorável, pois o paciente perderia a motivação ao perceber uma rápida deterioração de sua condição, ou mesmo quando ela fosse mais lenta.
Já nas ataxias e atetoses severas, em que o controle motor é involuntário, se torna difícil à reeducação destes grupos musculares.
AS MODALIDADES DE BIOFEEDBACK
As modalidades clássicas de biofeedback são a eletrodérmica (GSR, EDR OU EDA), a térmica (TEMP), a eletromiográfica (EMG) e a eletroencefálica (EEG) ou neurofeedback.
O eletrodermofeedback (GRS, EDR, ou EDA) se faz através da passagem de uma microcorrente elétrica (insensível) pela superfície da pele, medindo-se a resistência a esta passagem. Instrumentos de biofeedback são altamente sensíveis e monitoram processos fisiológicos. Sinais fisiológicos vindos do corpo são amplificados por instrumentos de feedback e convertidos em informação útil. O instrumento de biofeedback poderá ter um medidor, luzes, tela de computador ou tom sonoro, os quais apresentarão essa informação para o paciente. Quando as glândulas sudoríparas estão ativas, a resistência à passagem da corrente diminui. Em caso contrário, a resistência aumenta. A medida da resistência elétrica traduz a atividade/inatividade das glândulas sudoríparas as quais, por sua vez, são uns reflexos da atividade do sistema nervosos simpáticos.
O termofeedback (TENP) consiste em se alterar a temperatura nos dedos das mãos ou dos pés, variação esta em íntima correlação com as condições de vasodilatação/vasoconstrição nestes locais. A vasodilatação é acompanhada de aumento na temperatura, o contrário da vasoconstrição, que implica queda na temperatura. Também aqui ficamos sabendo das condições emocionais e físicas do indivíduo, expressas pela ativação/desativação do sistema nervoso autônomo (simpático/parassimpático). Dessa forma, por exemplo, o alívio da enxaqueca.
O feedback de reação eletro-dérmica (RED) mensura a condutividade da pele dos dedos e palmas das mãos. O RED é altamente sensível ÀS emoções em algumas pessoas. Feedback RED tem sido usado no tratamento da sudorese excessiva e condições dermatológicas relacionadas, e para relaxamento em dessensibilização.
O feedback eletromiográfico (EMG) consiste em se medir a atividade elétrica dos músculos, a qual expressa o grau de contração/ relaxamento dos mesmos. Desta maneira é possível treinar o indivíduo a fortalecer a musculatura quando for indicado ou então a produzir um relaxamento físico quando for o caso.
A eletromiografia ( EMG ) , mensura a atividade elétrica dos músculos esqueléticos, monitorando com sensores localizados na pele, sobre músculos apropriados. Feedback de EMG é usado para treinamento de relaxamento geral e é a modalidade primária para o tratamento da cefaléia de tensão, bruxismo e problemas da articulação têmporo-mandibular, dor crônica, espasmo muscular, paralisia parcial ou outras disfunções musculares devidas a ferimentos, contusões ou distúrbios congênitos.
A Eletromiografia de Biofeedback é usada em pacientes que têm como objetivo a reeducação do movimento. É uma técnica de aprendizagem usada para obter o controle voluntário sobre respostas fisiológicas específicas, das quais o indivíduo não está normalmente consciente. O processo consiste em demonstrar ao paciente seu sucesso durante uma série de tentativas e erros, de maneira a informar ao Sistema Nervoso Central a forma mais producente de alcançar um determinado objetivo.
Eletromiografia é o estudo da atividade da unidade motora. Unidades motoras se compõem de uma célula do corno anterior, um axônio, suas junções neuromúsculares, e todas as fibras musculares inervadas por este axônio. Um axônio, conduz um impulso para todas as suas fibras musculares, fazendo com que sofram despolarização de modo relativamente simultâneo. A despolarização produz atividade elétrica, que se manifesta como potencial de ação da unidade motora, e que é graficamente registrada como eletromiograma.
A EMG – Biofeedback é uma técnica de aprendizado originada do Behaviorismo, teoria estudada pela Psicologia Comportamental e que tem como objetivo ganhar controle voluntário de respostas fisiológicas específicas combinando com respostas do paciente que não está consciente.
Os objetivos desta terapia consistem em:
– Recrutar o maior número ou unidades motoras possíveis, favorecendo um ganho ou função neuromuscular.
– Reduzir respostas hiperativas, induzindo mudanças de comprometimentos em músculos espásticos.
– Proporcionar uma maior integração entre cérebro e a contração muscular para uma coordenação motora.
Além da reeducação do movimento, a EMG – Biofeedback também é usada com sucesso em pacientes que estão em Recuperação pós-operatória do joelho. Após a reconstrução do ligamento anterior cruzado (LAC), a imobilização e/ou o desuso do membro operado pode resultar em uma atrofia significativa do músculo quadríceps femural e irá resultar em fraqueza nos primeiros dias ou semanas.
O foco dos programas de reabilitação é, portanto, a recuperação da força e da função do músculo quadríceps femural. Os exercícios na fase inicial incluem o ajustamento do músculo quadríceps femural e o aumento da extensão da perna. Estes exercícios geralmente são difíceis de serem realizados durante as primeiras semanas do pós-operatório devido à dor, edema e à personalidade de ruptura na atividade normal do receptor do ligamento.
Se o feedback do receptor da junção é distorcido, as influências facilitadoras deste feedback sobre a musculatura da junção são distorcidas também e os modos de contração normal da musculatura se tornam pouco efetivos. Isto pode impedir a performance dos exercícios reabilitativos e a recuperação do controle e da força muscular.
Alguns autores têm sugerido que o EMG – biofeedback pode ser uma forma de aumentar o feedback do receptor da musculatura do joelho durante os exercícios de recuperação do quadríceps femural. Enquanto o paciente pode não estar apto a “sentir” ou perceber a atividade muscular, ele pode ver se ouvir os resultados de seus esforços para contrair o músculo.
A recuperação da força do músculo quadríceps femural após a reconstrução do LAC requer em primeiro lugar que o paciente recupere o controle voluntário do músculo de modo que exercícios de fortalecimento possam ser feitos. O biofeedback é utilizado para reeducar o paciente nas contrações voluntárias do quadríceps femural, dando a ele uma informação imediata sobre a correção de sus esforços durante o ajustamento e extensão da perna.
O neurofeedback (EGG) monitora atividade das ondas cerebrais a partir de sensores colocados no couro cabeludo, treinando o paciente a produzir ou diminuir a produção (amplitude e/ou freqüência) de qualquer uma das faixas de ondas cerebrais ou em ambos, conforme o estado físico e subjetivo que se almeja alcançar. É utilizado no tratamento da epilepsia, distúrbio de atenção em crianças (ADD), alcoolismo, dependência química e outros devidos a drogadição, traumatismo, desordens de sono e insônia, depressão e distúrbio do pânico.
Há também o feedback cardíaco (ECG), onde se mede e se controla a frequência cardíaca e a pressão arterial e o feedback respiratório, onde se controla o tipo de respiração (torácica/diafragmática) e a frequência respiratória.




